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O Cristão e a Ética da Comunicação

O Cristão e a Ética da Comunicação


O Cristão e a Ética da Comunicação

A comunicação não é apenas uma ferramenta sociológica de troca de informações; teologicamente, é um reflexo da Imago Dei (Imagem de Deus) no ser humano.

O Deus das Escrituras é um Deus que fala. Portanto, para o cristão, a ética na comunicação não se resume a boas maneiras, mas trata-se de um imperativo ontológico e santificador.


Exploraremos os princípios bíblicos que regem a ética da fala cristã, buscando compreender como nossas palavras podem servir como instrumentos de redenção ou de juízo.


A Palavra como Reflexo do Coração

Antes de analisarmos as normas éticas, precisamos entender a origem da fala humana. Jesus estabelece uma conexão indissolúvel entre a interioridade do ser e a exteriorização verbal.

"Raça de víboras! Como podem falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração." Mateus 12.34

A ética comunicativa cristã começa na antropologia bíblica. A corrupção da fala é sintoma de uma corrupção interior. Tiago, em sua epístola, apresenta a língua como um mundo de iniquidade que, embora pequeno, tem poder destrutivo desproporcional.


6 Ora, a língua é um fogo; é um mundo de maldade. A língua está situada entre os membros do nosso corpo e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também ela mesma é posta em chamas pelo inferno.

7 Pois toda espécie de animais, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano,

8 mas a língua ninguém é capaz de domar; é mal incontido, cheio de veneno mortal.

9 Com ela, bendizemos o Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos as pessoas, criadas à semelhança de Deus.

10 De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, isso não deveria ser assim.

11 Por acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar água doce e água amarga?

12 Meus irmãos, será que a figueira pode produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, também, uma fonte de água salgada não pode dar água doce.

Tiago 3.6-12


Assim, o esforço ético não é meramente cosmético, uma mudança de vocabulário, mas regenerativo, uma mudança de coração.


O Imperativo da Veracidade

Em uma era de pós-verdade e fake news, o compromisso do cristão com a verdade é inegociável. A mentira não é apenas um desvio moral, é uma antítese à natureza de Deus, que é a Verdade. O apóstolo Paulo, ao tratar da nova vida em Cristo, coloca a veracidade como pilar da comunidade cristã.

"Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros." Ef 4.25

A ética da veracidade exige:


Precisão Factual

Recusa em compartilhar informações não verificadas.


Integridade de Intenção

Não usar a verdade técnica para enganar ou manipular (a meia-verdade).


Coerência

A vida do comunicador deve validar a sua fala.


O Princípio da Edificação

A veracidade, contudo, não atua sozinha. A ética bíblica equilibra a verdade com a graça. A palavra grega oikodomé (edificação), refere-se ao ato de construir. A comunicação cristã deve ser arquitetônica: ela deve construir o outro, não demoli-lo.


"Não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem."  Ef 4.29

Note a cláusula conforme a necessidade. Isso implica sensibilidade situacional e empatia. A ética cristã pergunta: O que vou dizer é verdade? Se sim, é necessário? É o momento certo? Ajudará o ouvinte a crescer em graça?.

O silêncio, muitas vezes, é a resposta ética mais eloquente.


A Moderação e a Temperança Verbal

A agressividade, o sarcasmo destrutivo e a polêmica vazia são condenados pelas Escrituras. O cristão é chamado a exercer o Fruto do Espírito (Gálatas 5.22-23) também em sua retórica, seja ela presencial ou digital. Paulo instrui os colossenses sobre a textura da fala cristã:


"Que a palavra de vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como responder a cada um."  Colossenses 4.6

Temperada com sal sugere preservação e sabor. A nossa comunicação deve impedir a putrefação moral do ambiente e, ao mesmo tempo, despertar o interesse pela beleza do Evangelho. Além disso, Tiago nos oferece a regra de ouro da etiqueta comunicativa:


"Saibam isto, meus amados irmãos: todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar." Tiago 1.19

A ética da escuta precede a ética da fala. Em um ambiente  eclesiástico ou não eclesiástico, a prontidão em ouvir demonstra humildade intelectual e respeito pela Imago Dei no outro.


Aplicação Contemporânea

O Cristão nas Redes Sociais

A ética bíblica não muda com a tecnologia. Os princípios de Provérbios ou das Epístolas são perfeitamente aplicáveis ao Twitter, Instagram ou WhatsApp. O anonimato ou a distância física das telas não isentam o cristão do mandamento do amor.


Ao compartilhar, comentar ou publicar, o cristão deve submeter seu conteúdo ao crivo das Escrituras:


  1. Isso glorifica a Deus?

  2. Isso promove a justiça e a verdade?

  3. Isso protege a reputação do próximo, mesmo que este seja um inimigo ideológico?


A comunicação ética para o cristão é um ato de adoração. Nossas palavras têm o poder de abençoar ou amaldiçoar, de curar ou ferir. Como portadores da mensagem da Reconciliação, não podemos permitir que nossa própria comunicação seja um obstáculo ao Evangelho.


Que a nossa oração diária seja a do salmista, reconhecendo nossa total dependência da graça divina para governar nossa língua:


"Põe, SENHOR, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios." Salmos 141.3

Deus os abençoe!

Soli Deo Gloria.

1 comentário

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há 42 minutos
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Precisamos vigiar mais!!! kkk

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